Localizando-me



Por que partir?

Este texto foi originalmente escrito no dia 16 de julho de 2017, dias antes de eu decidir excluir a minha conta no Twitter por vários meses.

Não é surpresa para pessoa alguma que o Twitter hoje desagrada diversos grupos. Enquanto há relatos de que a plataforma censura discursos conservadores, existem denúncias de que o algoritmo agredide ainda mais quem é agredido e protege agressores, discussões sobre como a empresa tem dado cada vez mais espaço (ou falhado em não dar espaço) para pessoas que perpetuam discursos de ódio. A cereja no bolo é o prenúncio de fim de mundo tendo em vista a situação financeira da empresa e como ela tem falhado em atrair novos usuários, fazendo clara a desvantagem do Twitter em relação a seus concorrentes.

Para mim, é evidente que o modelo de redes sociais construídas e mantidas por empresas que precisam monetizá-las a todo custo traz diversos desequilíbrios. Embora usuários sejam uma parte essencial dessa relação já que sem eles nada funciona, as suas vozes não têm a mesma força do que as demandas de quem efetivamente traz dinheiro para a plataforma. Quantos de nossos pedidos já foram completamente distorcidos? Qual o ponto de equilíbrio onde é possível agradar gregos e troianos?

Grupos insatisfeitos começaram então a criar as suas próprias redes sociais. Aqueles preocupados com liberdade de expressão criaram uma alternativa proprietária e centralizada chamada Gab. Outros, fazendo uso de software livre, construíram redes descentralizadas e de código aberto como Diaspora e Mastodon.

Pessoalmente, as alternativas abertas me são mais atraentes do que as fechadas. Mudar-se para mais uma rede social proprietária soa como evitar a todo custo resolver os problemas sistêmicos que a centralização e o monopólio de um serviço trazem. Quando essa iniciativa morrer, você terá que procurar por outras de novo e de novo. Além disso, você continua sujeito a mandos e desmandos de uma empresa que queira ou não precisa atender a certas demandas comerciais.

Meios descentralizados e abertos tornam possível que você ou qualquer outra pessoa criem servidores (instâncias no Mastodon e pods no Diaspora) oferecendo o serviço. Esses servidores podem conter quaisquer regras que atendam as demandas dos grupos aos quais ela planeja servir e controlar melhor coisas como assédio.

Se um servidor acabar por falta de dinheiro ou interesse, o serviço continua sendo oferecido por milhares de outras pessoas. O fato do projeto ter seu código aberto torna mais simplificada a sua manutenção (visto que comunidades de desenvolvimento são encorajadas a auxiliar o projeto) e ainda mais vocal a participação de seus usuários. Você pode observar um exemplo disso nessa página, onde usuários e desenvolvedores discutem a nova página inicial do Mastodon.

Em um momento em a internet torna-se cada vez mais fechada em uma batalha entre Facebook e Google, tudo soa como um sopro de ar fresco para mim. Há, afinal, meios de fugir de uma tendência da qual tudo indicava que não haveria escapatórias— e eles são construídos por pessoas para pessoas.



Anna e só

Goiânia, Goiás, Brazil |

That disabled user you need to think about — and is willing to help you out. Works with localization (l10n) & internationalization (i18n). Want to talk? You can reach me at contraexemplo@protonmail.ch